domingo, 4 de setembro de 2011

Sei lá... Mas pensando bem...

Há muito que não escrevo em lugar algum. Talvez seja pelo fato de que acredito que as coisas que escrevo hoje, amanhã já estará caduco. Senão vejamos. Comecei esta minha estadia terrena na companhia de meus pais e meus irmãos, onde três vezes por semana a gente tinha que ir pra igreja, e que igreja... era uma facção de evangélicos mais cabeças duras que eu já pude imaginar, uma seita que não se julga seita que se trata de uma doutrinação cartilhada pelas epístolas de Paulo e ainda mais abrasadora, como se já não bastasse ser oriunda dali, ainda os doidos  aglutinaram tudo que é mais de pestilento na famigerada bíblia e socaram gooela abaixo. Tá vendo porque quase não escrevo? Sou um linguarudo. Falo pelas quatro ventas. 
Eram tempos de aflição. Eu não gostava de ser chamado de crente pelos colegas de escola, mesmo porque , eles não só falavam a palavra, mas colocavam-lhe adereços nada  agradáveis. Era bullying mesmo. Na década de sessenta quando eu fazia o primário, eu morava em uma cidadezinha do interior de Goiás, todos discriminavam os crentes que hoje se intitulam de evangélicos e quase que são maioria, alias acho que as estatísticas estão erradas; os evangélicos devem ser maioria aqui no Brasil. pois em cada canto que se olha tem um "templo evangélico", muitos em germinação, os crescidos são imensos nichos. Acredito que quanto mais os seres humanos ficam perdidos em si mesmos mais eles se imbecializam. Mas vamos analisar com otimismo: quanto mais o ser humano se converte em cretino, mais proximo ele estará da cura (esclarecimento) pois, dali onde está, num poço de estupidez, o indivíduo não pode piorar , pois não tem como, então, só pode melhorar e daí sair daquele poço para a margem e dali saltar para o conhecimento a partir do zero. Isso é bom. Mas hoje depois de ser Espírita por uma grande faixa de minha vida, fui me afastando do centro por conta de raciocínio lógico e apesar de apreciar imensamente as escrituras de Allan Kardeck, o qual acho que adotou o cristianismo e permeou o espiritismos com tal religião para ter aceitação na europa católica ou porque , talvez ele fosse cristão, sei lá, mas acho que realmente era cristão, porque ele fazia questão de indicar aos seus leitores outros tipos de obras literárias versando até sobre ateísmo, mas ele guiou seu trabalho de  montagem do pentateuco espírita como se fosse um explicativo de origens e evolução mas sempre paralelisando com as escrituras judaico-cristãs de antanho e, neste tempo, já bastante corrompidas pelos interesses dos "poderosos"  , encabeçados pelos escribas católicos - ou seja, textos  no minímo suspeítos de um compêndio de livros, os quais corromperam com nossa cultura ocidental, pois se nossos deuses fossem evolução do conceito de nossos nativos, com certeza não soariam aos ouvidos atentos como tão......
Foi aí que eu não consegui mais me ater. Bom mas agente não precisa de templo para o exercício da fé e eu perdi foi exatamenta a fé. Depois de pesquisar com avidez a rede internet, comecei a perder totalmente a fé até ao ponto de não acreditar em mais nada que não fosse cabalmente provado. Sabe, nos nos tornamos metálicos.  Eu não me sentia bem. Foi aí que conheci a concienciologia, e dai comecei a beber de fonte que eu não conhec ia. Devido a minha origem evangélica eu me encontrava sobre um vazio existencial visto que o fundamentalismo bíblico ali vigora. Pesquisei por dias e dias por uma quantidade imensa de vídeos falando sobre o corpo astral, que na "concienciopédia" é chamado de conciex ou seja consciência extra-física, e todas as peculiaridades inerentes a consciência. Pois bem, não posso dizer nada contra a concienciologia e seu conteúdo, o qual depois de muito estudar dedicando até quatro horas de estudo quando se tratava de ouvir as tertúlias do Waldo Vieira, (pai e mãe da concienciologia). Ora, aconteceu que, depois de muito atentar para o aprofundamento da concienciologia, percebi que, tenho que dar um tempo, nesse rumo, pois apesar de ser adepto do princípio da descrença, dos preceitos da matéria, vi que os seguidores de Waldo correm o risco de violarem o princípio da descrença, tão enfático e tão fragil, pois o espírito humano é gregário desde as suas orígens como animal. Pois, a despeito de minha descrença quanto pandemônio de deuses existentes nas crendices do homem, acredito, não por fé, mas por conclusão, que a energia espiritual que habita no homem, o acompanha desde sua infância existencial, ou seja, o espírito do ser humano nasce com a evolução do ser humano desde primórdios da existência, e cresce no padrão evolutivo ao se encontrar com as dificuldades que se lhes apresentam nas várias existências animando corpos finalmente humanos. Penso que sempre acontece de energias estruturadas como espíritos humanos despertarem para a consciência, ficando assim pleonasticamente conscientes de sua existência eterna como residente em um corpo mais sutil, que por vezes tem de habitar em um corpo mais denso (material) perecível, com o intuito de acelerar o processo evolutivo, e penso ainda que só o fato de estarmos cientes disso, já nos coloca em estado de responsabilidade, pois passamos a interferir no meio em que vivemos com o exercício da razão e ao nos inteirarmos disto iniciamos as diversas fases de evolução pessoal que por fim se torna um caminho solitário por excelência. Entretanto, em vista do fato que, até haver um vislumbre de consciência em nossa existência, o caminho até ali é permeado de situações que se apresentam a nós sem que a desejássemos e quase sempre nos causando sofrimentos morais, pois até os ferimentos e deformidades físicas em sua finalística, atinge a consciência de forma a deixar impregnado em seu registro de emoções que lhe fizeram chegar a conclusão existencial e as emoções capazes de gerar progresso em grande salto são as que vem gravadas de sentimentos que identificamos como imenso sofrer. Daí podermos explicar que diante das fragilidades as quais somos portadores nos leva a formar grupos os quais em sua formação original eram bandos para se defenderm dos predadores, e esses bando passaram a condição de maior organização formando greis, porisso o homem é um animal gregário, vive bem melhor em grupos. Para que um grupo tenho uma direção, com mais probabilidades evolutivas, necessária se faz a presença de um líder que geralmente é guindado a condição de guia. Dependendo do grau evolutivo do grupo este guia pode tomar várias conotações em sua qualificação pessoal. Existe a deificação, na minha opinião, quando o nível de fanatismo dos integrantes do grupo guinda o líder para tal e qual deus, santo, anjo, etc.. enfim é apoteótico. Entretanto, sem prejuízo da gratidão que devemos sentir, penso que não é uma boa medida deificar qualquer espirito que seja, porquanto isto não traz benefícios para o grupo nem quando ele se torna vencedor, e principalmente neste caso onde há mesmo é um gravame na escala evolutiva, é um simples entrave que despende muito esforço do espírito para se livrar desta modalidade e perceber que independdente de onde estejamos sempre seremos indivíduos perenes de exitência, portanto independentes. Voltando a minha pessoa, devo dizer que a concienciologia me deu ferramentas para me sentir livre até mesmo de me colocar a salvo das sutilezas de doutrinação das lideranças da conscienciologia e ora estou convicto de que se eu me esforçar com as práticas energéticas que tenho aprendido, com certeza eu posso me projetar para fora do meu corpo denso, sendo que minha consciência poderá explorar o mundo extrafísico utilizando-se do meu corpo astral que em virtude das práticas energéticas posso fazer isto coscientemente, ou seja, com lucidez mais ainda que na vigília física. É... mas antes eu tenho que fazer cair todas as artimanhas de minha personalidade (torta), para se autocorromper e impedir minha evolução. Isso é o comodismo, que tenho tendência a me ater. 

Sexta-feira, dois de setembro de dois mil e onze da EC.
Josias Zanelli
Link de vídeo: PARADIREITO

Paradireito - Karla Ulman - 1 de 6 - Ciência e Consciência

http://youtu.be/o16mT6vFmyQ




http://youtu.be/o16mT6vFmyQ

Robert Allan Monroe

- Por Robert Allan Monroe -

Três vezes "fui" a lugares que não me deixam encontrar palavras para descrevê-los minuciosamente. De novo, é essa visão, essa interpretação, a visitação temporária a esse "lugar" ou estado de ser que encerra a mensagem ouvida tão freqüentemente no decorrer da história do homem. Estou seguro de que isso pode ser parte do supremo céu, como nossas religiões o classificam.

Deve também ser o Nirvana, o Samadhi, a experiência suprema relatada para nós pelos místicos dos tempos. É verdadeiramente um estado de ser, muito provavelmente interpretado pelo indivíduo de formas bastante diversas.
Para mim era um lugar ou estado de pura paz, porém de emoção apurada. Era como se flutuasse em nuvens quentes e macias, onde não existe acima nem abaixo, onde nada existe como pedaço separado de matéria. O calor não paira meramente ao seu redor, vem de você e passa por dentro de você. Sua percepção fica ofuscada e assoberbada pelo Meio-Ambiente Perfeito.

A nuvem na qual você flutua é varrida por feixes de luz em formatos e matizes que variam constantemente, e cada um traz benefícios quando você se banha neles no instante em que lhe passam por cima. Raios de luz vermelho-rubi, ou alguma coisa além que chamamos de luz, já que nenhuma luz jamais se fez sentir tão expressivamente. Todas as cores do espectro vão e vêm constantemente, nunca de maneira desarmoniosa, e cada uma traz um calmante diferente, ou felicidade pacificadora. É como se você estivesse e fizesse parte das nuvens cercando um ocaso eternamente brilhante e, com todos os padrões transformadores de cores vivas, você também mudasse. Você reage e absorve a eternidade dos azuis, amarelos, verdes e vermelhos, e a complexidade das cores intermediárias. Todas lhe são familiares.

Você pertence àquele local. Ele é sua Casa.

À medida que se desloca lentamente e sem esforço pela nuvem, você ouve música à sua volta. Não é coisa que veja. Permanece por ali o tempo todo, e você vibra em harmonia com a música. É muito mais do que a música convencional de origem conhecida. São apenas aquelas harmonias, as delicadas e ativas passagens melódicas, os contrapontos em multivozes, os harmônicos pungentes. São apenas esse que lhe conseguem evocar as emoções profundas, incoerentes do mundo convencional. O terreno está faltando. Coros de vozes parecendo humanas ecoam canções sem palavras. Infinitos padrões de cordas, em todas as nuanças de sutil harmonia, entrelaçam-se em temas cíclicos, porém evolutivos, e você ressoa com eles. Não existe origem para essa Música. Ela está aqui, em torno de você, você faz parte dela, ela é você.

E a pureza de uma verdade da qual teve apenas pequena amostra. Isto é o festim, e os minúsculos petiscos provados por você antes no mundo convencional, fizeram-no ansiar pela existência do Todo. Os indescritíveis estados de emoção, ânsia, nostalgia, senso de destino que sentia no mundo convencional, quando fitava o ocaso do Havaí, com as nuvens em camadas; quando permanecia em silêncio no meio das árvores altas, ondulantes na floresta calma; quando uma seleção ou passagem musical, ou toda uma canção, trazia recordações do passado, ou provocava um anseio sem imagem associada ao passado; quando sonhava com o lugar ao qual pertencia, fosse município, cidade, país ou família, agora isso está preenchido. Você está em Casa. Está no lugar a que pertence. Onde sempre deveria ter estado.

E o mais importante: não está sozinho, ligados a você estão os outros. Não possuem nomes, nem você os conhece pelos formatos, mas os conhece, e está unido a eles por um grande e simples reconhecimento consciente. São exatamente como você; são você, iguais a você; estão em Casa. Você sente com eles, como suaves ondas de eletricidade passando por entre você, uma integração de amor, do qual todas as facetas por que você já passou são meros segmentos e porções incompletos. Somente aqui as emoções existem sem necessidade de exibição ou demonstração intensa. Você dá e recebe em ação automática, sem esforço deliberado. Não é uma coisa que você precise, ou que precise de você. O gesto de "querer alcançar" desapareceu. O intercâmbio flui naturalmente. Você desconhece diferenças de sexo; como parte do todo, você é tanto macho quanto fêmea, é positivo e negativo, elétron e próton. O amor homem-mulher vem para você e sai de você; pai-filho-irmão-ídolo e idílio e ideal, tudo isso se afeta reciprocamente em suaves ondas à sua volta, dentro e através de você, que fica em equilíbrio perfeito porque está no lugar ao qual pertence. Está em Casa.

Inserido em tudo isso, contudo sem dele fazer parte, você vem a conhecer a fonte de toda a extensão de sua experiência, de você mesmo, da vastidão alem da sua capacidade de assimilar e/ou imaginar. Aqui você descobre e facilmente aceita a existência do Pai. Seu Pai de verdade. O Pai, o Criador de tudo que existe e existiu. Você é uma de Suas incontáveis obras.

Como ou por que não se sabe. Não é importante. Você vive feliz simplesmente porque está no seu devido lugar; aquele a que realmente pertence.

Cada uma das três vezes em que estive "Lá" não regressei voluntariamente. Voltei triste, relutante. Alguém me ajudou a regressar. Cada vez, após meu retorno, sofri intensa nostalgia e solidão, durante muitos dias.

Senti-me como um forasteiro deve sentir-se no meio de desconhecidos, numa terra onde as coisas não são "certas"; onde tudo e todos são tão diferentes e "errados", quando comparadas com coisas no local de onde ele veio. Solidão aguda, nostalgia, e certa coisa análoga à saudade. Tão grande era que não tentei voltar "Lá" novamente.

Seria o céu?

Certa vez tentei simular "Lá" neste mundo. Recordei-me quando criança, nadando numa piscina que tinha aquelas luzes coloridas embutidas nas paredes subaquáticas. Lembrei-me especificamente da piscina que possuía tais luzes.

Nossa casa de campo tinha uma piscina, daí comecei a entrar em ação. Havíamos instalado iluminação submarina, e eu usei cores nas lâmpadas. Tentei arduamente, porém não consegui reproduzir os matizes profundos de que me lembrava. Foi preciso muita energia. Além disso instalamos uma saída de som subaquática para podermos deitar sobre a água com os ouvidos submersos e escutar música vinda do sistema colocado dentro da casa. Isso funcionou muito bem. Mas não se igualou ao "Lá" nem ficou parecido.

Havia um item em especial: visitando o local onde passara minha infância, a piscina da qual me lembrara continuava lá, contudo, não tinha iluminação submarina colorida. Ninguém, incluindo velhos amigos que havia nadado junto comigo, conseguiu recordar-se da piscina com luzes coloridas debaixo d´água.

Realidade, Realidade!

(Texto extraído do excelente livro "Viagens Fora do Corpo" - Robert Allan Monroe - Editora Record.)

Robert Allan Monroe (1916-1995) foi um dos maiores pesquisadores e incentivadores das experiências fora do corpo da segunda metade do século XX. Ele próprio um projetor, procurou desenvolver técnicas para reproduzir e pesquisar as saídas do corpo de forma organizada, clara e acessível. Fundou em 1971 nos E.U.A o Instituto Monroe para pesquisa da consciência.

Além do livro "Viagens Fora do Corpo" (publicado em 1971, e uma das referências clássicas no estudo das projeções da consciência, com presença obrigatória na biblioteca de qualquer projetor e pesquisador sério do tema), ele também lançou os livros ""Viagens Além do Universo" e "A Última Jornada" - todos pela Editora Record. Para maiores detalhes sobre o seu trabalho, sugiro ao leitor que visite o excelente site do meu colega Marco Antonio Coutinho (um dos pesquisadores mais sérios do Brasil sobre o tema das projeções da consciência), que fez um bom resumo da carreira de Monroe.

O endereço específico é: www.marco.antonio.nom.br/SPS_pessoa_fatos.htm

Também sugiro a visita ao site do Instituto Monroe (em inglês): www.monroe-inst.com - e ao site de extensão do Instituto Monroe no Brasil (coordenado pela pesquisadora Déborah Sachs): www.portalmonroebrasil.com

Texto <475><28/10/2003>

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Titulação






O significado do título de meu blog é no sentido personalíssimo de que possa existir algo como uma justiça que perpetua em uma linha infinita. É utópico, porém me traz esperança de que se pode viver em um espaço-tempo em que haja algo parecido com o conceito de  se sentir bem (felicidade, bem estar), somente pelo fato de existir e coexistir, pois coexistir é a melhor forma de existir.
ZANELLI.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010



CONSCIENTIZAR. Isso é doloroso como nascer, mas isso é modo de falar porque não me lembro de ter nascido a não ser quando consegui dizer não para muitas coisas e pessoas, e... principalmente comecei a dizer não para pacotinhos, esses que vem prontos e com um monte de asneiras dentro e geralmente são antigos, muitos deles se referem a datas antes de... ou depois de... mas se até as referências são prenhes de falsidades.... como podemos dizer pré-diluviano, se podemos constatar que dilúvio é referido somente na Bíblia, e nos demais escritos são pesquisas para determinar ou não sua existência, mas nem precisaria, pois basta analisar o texto de referência original e seus personagens fantásticos que ao sabor da lógica percebemos que se assemelha em tudo às estórias de mil e uma noites... Bom... daí por diante... você tem de conviver com todos e só depois de que ....
talvez você esteja nascendo de fato, mas será de fato mesmo... ou na essência.
20 de dezembro de 2010 21:51

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

DEUS - COMERCIAL DE MUITOS SÉCULOS

"Deus está nu"

O filósofo francês mais lido da atualidade
diz que as três grandes religiões monoteístas
vendem ilusões e devem ser desmascaradas
como o rei da fábula de Andersen


André Fontenelle

Em um tempo em que a religiosidade está em alta, surpreende o livro que se encontra no topo da lista dos mais vendidos na França desde o mês passado, à frente até das biografias de João Paulo II: Tratado de Ateologia. Escrita pelo filósofo mais popular da França na atualidade, Michel Onfray, de 46 anos, a obra é um ataque pesado ao que o autor classifica como "os três grandes monoteísmos". Segundo Onfray, por trás do discurso pacifista e amoroso, o cristianismo, o islamismo e o judaísmo pregam na verdade a destruição de tudo o que represente liberdade e prazer: "Odeiam o corpo, os desejos, a sexualidade, as mulheres, a inteligência e todos os livros, exceto um". Essas religiões, afirma o filósofo, exaltam a submissão, a castidade, a fé cega e conformista em nome de um paraíso fictício depois da morte.

Para defender essa argumentação, Onfray valeu-se de uma análise detalhada dos textos sagrados, cujas contradições aponta ao longo de todo o livro, e do legado de outros filósofos, como o alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), que proclamou, em uma célebre expressão, a "morte de Deus". O filósofo escreve em linguagem acessível, a mesma que emprega ao lecionar na cidade de Caen, no norte da França. Ali criou uma "universidade popular" que atrai milhares de pessoas a palestras diárias e gratuitas sobre filosofia, artes e política. Gravadas pela rádio pública France Culture, as aulas de Onfray são sucesso de audiência. Os fãs o consideram um sucessor de Michel Foucault (1926-1984), o mais influente filósofo francês do século passado. Em seus livros, Onfray propõe o que chama de "projeto hedonista ético", em que defende o direito do ser humano ao prazer. Uma de suas obras, A Escultura de Si, ganhou em 1993 o Prêmio Médicis, o mais importante da França para jovens autores. Onfray também tem detratores, que o acusam de repetir idéias ultrapassadas. Em dois meses seu Tratado vendeu 150.000 exemplares. De seu escritório em Argentan, Onfray concedeu a seguinte entrevista a VEJA.

Veja – Em sua opinião, só o ateu é verdadeiramente livre?
Onfray – Só o homem ateu pode ser livre, porque Deus é incompatível com a liberdade humana. Deus pressupõe a existência de uma providência divina, o que nega a possibilidade de escolher o próprio destino e inventar a própria existência. Se Deus existe, eu não sou livre; por outro lado, se Deus não existe, posso me libertar. A liberdade nunca é dada. Ela se constrói no dia-a-dia. Ora, o princípio fundamental do Deus do cristianismo, do judaísmo e do Islã é um entrave e um inibidor da autonomia do homem.

Veja – A que o senhor atribui o sucesso de seu livro num momento em que há tanta discussão sobre religiosidade?
Onfray – Acho que muitos franceses esperavam uma declaração claramente atéia. As primeiras páginas de jornais e as capas de revistas sobre o retorno da religiosidade, a polêmica sobre o direito de usar ou não o véu muçulmano na escola leiga, a oposição maniqueísta entre um eixo do bem judeo-cristão e um eixo do mal muçulmano, a obrigação de escolher um lado entre George W. Bush e Osama bin Laden, a religiosidade dos políticos exposta na imprensa, o crescimento do Islã nos subúrbios franceses, tudo isso contribuiu para uma presença monoteísta forte no primeiro plano da mídia. Meu livro provavelmente funciona como um antídoto a esse estado de coisas, pelo menos na França. Ele ainda está sendo traduzido para outros idiomas.

Veja – Seu livro defende um ateísmo "fundamentado, construído, sólido e militante". Isso quer dizer que é preciso convencer as pessoas da inexistência de Deus?
Onfray – Isso quer dizer que, quando uma pessoa não se contenta apenas em acreditar estupidamente, mas começa a fazer perguntas sobre os textos sagrados, a doutrina, os ensinamentos da religião, não há como não chegar às conclusões que eu proponho. Trata-se de não deixar a razão, com R maiúsculo, em segundo plano, atrás da fé – e sim dar à razão o poder e a nobreza que ela merece. Essa é a missão, a tarefa e o trabalho do filósofo, pelo menos de todo filósofo que se dê ao respeito.

Veja – A desconstrução dos três grandes monoteísmos equivale a mostrar que o rei está nu, como na fábula de Hans-Christian Andersen?
Onfray – Sim. É preciso mostrar que o rei está nu, deixar claro que o mecanismo das religiões é o de uma ilusão. É como um brinquedo cujo mistério tentamos decifrar quebrando-o. O encanto e a magia da religião desaparecem quando se vêem as engrenagens, a mecânica e as razões materiais por trás das crenças.

Veja – O senhor cita constantemente trechos do Corão, da Bíblia e da Torá para apontar contradições. Por que razão, se em muitos casos esses trechos nem são mencionados pelos religiosos na defesa de suas convicções?
Onfray – Os sacerdotes limitam-se a usar apenas um punhado de palavras, textos e referências, sempre postos em evidência porque são aqueles trechos que permitem assegurar melhor o domínio sobre os corpos, os corações e as almas dos fiéis. A mitologia das religiões precisa de simplicidade para se tornar mais eficaz. Elas fazem uma promoção permanente da fé em detrimento da razão, da crença diante da inteligência, da submissão ao clero contra a liberdade do pensamento autônomo, da treva contra a luz.

Veja – Seu livro cita contradições entre a pregação da paz e a da violência. O senhor pode dar os exemplos mais marcantes dessa situação?
Onfray – O famoso sexto mandamento da Torá ensina: "Não matarás". Linhas abaixo, uma lei autoriza a matar quem fere ou amaldiçoa os pais (Exodo 21:15 e adiante). Nos Evangelhos, lê-se em Mateus (10:34) a seguinte frase de Jesus: "Não vim trazer a paz, e sim a espada". O mesmo evangelista afirma a todo instante que Jesus traz a doçura, o perdão e a paz. O Corão afirma que "quem matar uma pessoa sem que ela tenha cometido homicídio será considerado como se tivesse assassinado toda a humanidade" (quinta sura, versículo 32). Mas ao mesmo tempo o texto transborda de incitações ao crime contra os infiéis ("Matai-os onde quer que os encontreis", segunda sura, versículo 191), os judeus ("Que Deus os combata", nona sura, versículo 30), os ateus ("Deus amaldiçoou os descrentes", 33ª sura, versículo 64) e os politeístas ("Matai os idólatras, onde quer que os acheis", nona sura, versículo 5).

Veja – O livro ataca com virulência particular o apóstolo Paulo, descrevendo-o como um histérico. Por quê?
Onfray – Basta ler os Atos dos Apóstolos, nos trechos que descrevem a conversão de Paulo, e conhecer um pouco de psiquiatria, ou ter um manual de psicologia ao alcance da mão, para ver quanto os sintomas da visão que originou sua conversão coincidem com os descritos pelos especialistas em histeria: perda de tônus muscular, queda, cegueira momentânea etc. Ao me referir a Paulo, eu não emprego o termo neurose como um insulto de caráter moral, mas como um diagnóstico que pode ser estabelecido por um psiquiatra.

Veja – Há uma diferença entre ser contra as religiões e não acreditar na existência de Deus?
Onfray – É possível acreditar em Deus e viver sem religião. Mas não conheço religião que viva sem Deus. Trata-se do mesmo combate, verso e reverso da mesma medalha.

Veja – Mas não são poucos os que sustentam que a necessidade de Deus é inerente ao ser humano. Há quem acredite que essa necessidade é genética.
Onfray – Essa necessidade é cultivada culturalmente. É claro que não existe. Muito menos geneticamente. Essa é uma idéia ridícula. Não há nada no cérebro além daquilo que é posto nele. Já se viu alguma criança – imagem do que pode haver de mais natural – nascer acreditando em algum deus ou em alguma transcendência? Deus e a religião são invenções puramente humanas, assim como a filosofia, a arte ou a metafísica. Essas criações, é bem verdade, respondem a necessidades, como a de esconjurar a angústia da morte, mas podemos reagir de outra forma: por exemplo, com a filosofia.

Veja – Como o senhor explica o fato de muitos cientistas, diante da impossibilidade de explicar a imensa complexidade do universo, se voltarem para a hipótese da criação divina?
Onfray – O recurso a Deus e à transcendência é um sinal de impotência. A razão não pode tudo. Deve ser consciente de suas possibilidades. Quando ela não consegue provar alguma coisa, é preciso reconhecer essas limitações e não fazer concessões à fábula, ao pensamento mitológico ou mágico. A idéia da criação divina é uma espécie de doença infantil do pensamento reflexivo.

Veja – Como filósofo ateu, como o senhor viu a forte comoção popular pela morte do papa?
Onfray – Tamanho fervor deve ser relacionado com o fato de que João Paulo II foi de fato o primeiro "papa catódico", o primeiro sumo pontífice da era da comunicação de massa. Foi o homem mais filmado do planeta. Logo, era o maior portador da aura que a mídia confere. A maioria das pessoas tem fascínio pelos ícones eleitos pela mídia e acredita mais neles do que na verdade física. Daí a estranha sensação quando a TV prova que por trás daquela imagem divinizada havia alguém bem real, de carne e osso. Isso ficou demonstrado, na morte do papa, pelo uso espetaculoso da exposição do cadáver e pela criação de uma reação histérica entretida e amplificada pela transmissão televisiva.

Veja – O senhor retoma casos recentes e antigos em que o papel da Igreja Católica não foi dos melhores: ataques a Galileu, silêncio diante do holocausto ou do genocídio em Ruanda. Mas é possível encontrar outros tantos exemplos de bons momentos do catolicismo. Isso não mostra que o problema não são as religiões e sim os homens que as interpretam?
Onfray – Não me proponho a escrever uma resposta ao livro O Gênio do Cristianismo (obra de 1802 do escritor francês François-René de Chateaubriand, que refutava os filósofos anti-religiosos de seu tempo). O que quero é mostrar que as religiões, que dizem querer promover a paz, o amor ao próximo, a fraternidade, a amizade entre os povos e as nações, produzem na maior parte do tempo o contrário. Não me parece muito digno de interesse que os monoteísmos possam ter gerado o bem aqui ou acolá. Afinal, é a isso mesmo que eles dizem se propor. Não há motivo para espanto. Em compensação, que se devam a eles tantas barbaridades terrenas, extremamente humanas, me parece muito mais importante como prova da inanidade das doutrinas.

Veja – Críticos católicos alegam que seu livro nada fez senão repetir antigos argumentos contra a religião. Quais são seus argumentos novos?
Onfray – Não se pode fazer muito a respeito, a não ser dizer e redizer o que é verdade há muito tempo. E repetir que os cristãos têm pouca moral para me reprovar por dizer antigas verdades, quando eles mesmos propagandeiam erros ainda mais antigos.

Veja – Não se pode negar que a religião proporciona valores morais e éticos a muitas pessoas que de outra forma não os teriam. Isso, por si, não bastaria para justificar a existência das religiões?
Onfray – Se não houvesse alternativa, certamente. Mas há. A filosofia permite a cada um a apreensão do que é o mundo, do que pode ser a moral, a justiça, a regra do jogo para uma existência feliz entre os homens, sem que seja preciso recorrer a Deus, ao divino, ao sagrado, ao céu, às religiões. É preciso passar da era teológica à era da filosofia de massa.

Veja – O senhor acha que um dia o mundo será predominantemente ateu?
Onfray – Não. A fraqueza, o medo, a angústia diante da morte, que são as fontes de todas as crenças religiosas, nunca abandonarão os homens. Por outro lado, é preciso que alguns espíritos fortes, para usar uma expressão do século XVII, defendam as idéias justas. A questão é converter novos espíritos fortes. Só isso já seria muita coisa.

Veja – Quando e como o senhor se tornou ateu?
Onfray – Até onde consigo me lembrar, sempre fui ateu, a não ser na infância, quando acreditava na mitologia católica como se acredita em Papai Noel ou nas lendas do folclore. A história contada pelo catolicismo tem tanto valor quanto essas. Está no mesmo nível dos contos da carochinha, em que os animais conversam e os ogros comem criancinhas. Assim que um embrião de razão habitou meu espírito, não me importei mais com esse pensamento mágico – que só serve, justamente, para as crianças.

Veja – Do que se trata, exatamente, a "universidade popular" que o senhor criou?
Onfray – Eu criei essa universidade, com um grupo de amigos, três anos atrás, com o objetivo de proporcionar um saber filosófico exigente ao maior número possível de pessoas, de todas as origens, sem distinção de classe, religião, sexo, idade, formação, poder aquisitivo ou nível intelectual. E, ao mesmo tempo, permitir a construção de si mesmo como pessoa livre, independente e autônoma. Organizamos seminários sobre idéias feministas, política, cinema, arte contemporânea ou psicanálise, entre outros. Também temos uma oficina de filosofia para crianças. No que me diz respeito, ensino uma contra-história da filosofia – atéia, materialista, sensualista, hedonista, anarquista.

Veja – Que tipo de público freqüenta seus cursos?
Onfray – O público é indefinível, verdadeiramente popular: jovens, velhos, homens, mulheres, universitários, gente sem diploma, trabalhadores especializados, como pilotos de Airbus e neurocirurgiões, não qualificados ou desempregados, como os demitidos de uma montadora de automóveis da região.

Veja – A idéia está dando certo?
Onfray – O princípio dela já permitiu que se espalhe por cinco ou seis outras cidades. Há outros projetos de expansão.